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Em transação de US$ 52,4 bilhões, Disney compra parte do conglomerado Fox

A vitória de Mickey sobre os X-Men

Em transação de US$ 52,4 bilhões, Disney compra parte do conglomerado Fox, amplia seu elenco de personagens do Universo Cinematográfico Marvel e ganha força para competir com Netflix e Amazon em 2019

A vitória de Mickey sobre os X-Men

Celso Masson e Valéria Corbucci

  O camundongo engoliu a raposa. Mickey Mouse, o carismático personagem de quadrinhos e desenhos animados criado na década de 1920 que se tornou símbolo da Walt Disney Company, agora reina também sobre os estúdios de cinema e TV da 21st Century Fox, conglomerado de mídia que pertencia à News Corporation, do magnata australiano Rupert Murdoch. Anunciada na semana passada, a aquisição de parte da Fox pela Disney é uma transação histórica não apenas pelas cifras que envolve — oficialmente, US$ 52,4 bilhões mudarão de mãos — mas por resultar no maior império da história do entretenimento, somando a força de duas empresas cujos produtos são campeões de bilheteria, e por sinalizar como será o futuro dessa indústria, hoje em um momento de intensa transformação.
Entre as vantagens estratégicas que a Disney vislumbrou ao pagar um preço tão alto para adquirir a Fox destacam-se o aumento de seu portfólio de canais de TV, a entrada no serviço de streaming de vídeo (hoje liderado por Netflix e Amazon Prime), e uma significativa ampliação de seu elenco de super-heróis. Embora a Disney controle o Universo Cinematográfico Marvel, alguns personagens de sucesso ainda não faziam parte de seus domínios, caso dos X-Men e do Quarteto Fantástico. Em seu comunicado oficial, a Disney afirmou que o acordo permitirá reunir a “família Marvel” sob um mesmo teto e “criar mundos mais ricos e complexos de personagens e histórias inter-relacionadas que o público mostrou adorar”. Alguns dos maiores sucesso das telas nos últimos tempos foram protagonizados por super-heróis em aventuras coletivas, caso da franquia “Vingadores”, que inclui Hulk, Homem de Ferro, Capitão América, Thor e o Homem-Formiga.
Mais importante que a união de forças em torno dos super-heróis é o posicionamento da Disney no serviço de streaming de vídeo. Com a compra de parte da Fox, a empresa fica com 30% do Hulu (ainda indisponível no Brasil), que poderá funcionar como base de experimentação para sua plataforma própria de distribuição de vídeos on-line. Em agosto, depois de comprar 75% da BAMTech, empresa responsável pela transmissão dos jogos da liga de beisebol americana, a Disney anunciou que rescindirá o contrato que mantém com a Netflix em 2019. É quando ela pretende estrear um serviço semelhante, desenvolvido pela BAMTech. O interesse em competir com Netflix e Amazon se deve à constatação de que o futuro do audiovisual está muito mais nos dispositivos móveis do que nos canais de TV a cabo. O streaming de vídeo é mais barato e cômodo para quem assiste a filmes e séries na televisão — mas não tira público do cinema. Por isso a Disney quer se manter forte também onde está sua maior audiência. O estúdio que produziu a animação de maior sucesso de todos os tempos (“Frozen”, com bilheteria global de US$ 1,2 bilhão) agora é dona também dos direitos sobre “Avatar”, o filme que revolucionou o cinema 3D e rendeu à Fox nada menos que US$ 2,7 bilhões (leia no quadro ao lado).
Assédio sexual
Outra razão para a Disney ter avançado sobre a Fox diz respeito ao abalo em sua imagem de empresa que preza valores da família. Em junho de 2017, John Lasseter, fundador da Pixar e diretor criativo da Disney, comunicou que se afastaria da corporação por causa de denúncias de assédio sexual por parte de funcionários. “Fiquei sabendo que fiz com que alguns de vocês se sentissem desrespeitados e desconfortáveis”, afirmou. Segundo a revista “Hollywood Reporter”, ele era conhecido por “agarrar, beijar e fazer comentários sobre aparência fisica” de pessoas que comandava. Os roteiristas Rashida Jones e Will McCormack desistiram de trabalhar em “Toy Story 4” depois de terem sofrido assédio de Lasseter. Para muitos, ele era considerado um sucessor natural do fundador Walt Disney.
 Da Fox para a Disneylândia
O que a empresa criada por Walt Disney está levando do magnata Rupert Murdoch > Estúdio de cinema 20th Century Fox > Distribuidora Fox Searchlight Pictures > Produtora Fox 2000 > Redes de TV FX e National Geographic > 30% de participação no serviço de streaming Hulu > 50% da Endemol — empresa responsável pela criação de séries como “Big Brother” e “MasterChef” > Franquias como “Avatar”, “Planetas dos Macacos” e ”Vingadores” > Produções independentes como “Estrelas além do tempo”, “Garota exemplar” e “A forma da água” (filme candidato ao Oscar em 2018)
       Fonte: https://istoe.com.br/vitoria-de-mickey-sobre-os-x-men/

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