Governo liberou R$ 134 milhões em emendas a deputados pró-Temer, diz ONG

Número foi levantado pela ONG Contas Abertas e se refere a pagamentos feitos em junho a aliados na CCJ da Câmara. Relator Paulo Abi-Ackel (PSDB) teve mais emendas liberadas (R$ 5,1 milhões). Levantamento da ONG Contas Abertas aponta que o governo federal liberou em junho R$ 134 milhões em emendas parlamentares a 36 dos 40 deputados que votaram a favor do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os deputados que votaram contra tiveram liberados R$ 65.936.037,11 em emendas. Nesta quinta (13), depois de recusar por 40 votos a 25 o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) que recomendava ao plenário o prosseguimento da denúncia de corrupção passiva da Procuradoria Geral da República contra Temer, a CCJ aprovou por 41 a 24 o relatório alternativo do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomenda a rejeição da denúncia. Quatro dos deputados que votaram a favor de Temer na CCJ não tiveram emendas parlamentares liberadas em junho: Arthur Lira (PP-AL), Domingos Neto (PSD-CE), Maia Filho (PP-PI) e Elizeu Dionizio (PSDB-MS). Emendas parlamentares são recursos previstos no Orçamento, cuja aplicação é indicada pelo parlamentar. Esse dinheiro tem de ser obrigatoriamente empregado em projetos e obras nos estados e municípios. A liberação dos recursos é obrigatória, e o governo tem todo o ano para realizar os repasses. De acordo com o secretário-geral da ONG, Gil Castello Branco, os R$ 134 milhões liberados em junho representam um valor “absolutamente atípico para o período”. “Isso não é uma ilegalidade”, disse Castello Branco, mas, segundo ele, neste ano o governo concentrou um grande volume de recursos no mês de junho. Antes, afirmou, “não tinha sido empenhado praticamente nada”. Para efeito de comparação, entre janeiro e maio, o governo liberou, ao todo, pouco mais de R$ 102 milhões a todos os parlamentares. Somente em junho, foram R$ 2,02 bilhões:
  • Janeiro: R$ 1.001.038,78
  • Fevereiro: R$ 1.360.038,50
  • Março: R$ 5.191.938,59
  • Abril: R$ 5.653.053
  • Maio: R$ 89.235.206,66
  • Junho: R$ 2.024.484.275,93
Nos seis primeiros dias de julho, segundo o levantamento da ONG, as emendas liberadas somaram R$ 94.526.548,82, mais do que em qualquer um dos cinco primeiros meses do ano. “Essa é a expressão em números de que o governo deixa essas liberações às vésperas de votações importantes na tentativa de obter os votos”, declarou Castello Branco. ESPECIAL G1: SAIBA COMO VOTOU CADA DEPUTADO Os dados aferidos pela organização mostram que o deputado que mais recebeu os recursos foi Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O tucano recebeu R$ 5,1 milhões em emendas no mês passado. Ligado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e à ala do partido que defende a permanência da legenda no governo, Abi Ackel foi o responsável por elaborar um segundo parecer, aprovado na comissão, que recomendou a rejeição da denúncia contra Temer. Partidos de oposição atribuem a vitória do governo na CCJ a dois principais motivos: o troca-troca de integrantes promovido por líderes da base aliada, que garantiu maioria de votos ao governo, e a liberação de emendas parlamentares. Além de Abi-Ackel, outros parlamentares ligados à “tropa de choque” do Palácio do Planalto figuram na lista de maiores beneficiários das emendas liberadas pelo governo. Depois do tucano, os dois deputados que mais receberam verbas foram Carlos Marun (PMDB-MS) e um dos vice-líderes do governo na Casa, Beto Mansur (PRB-SP). De acordo com o levantamento, os dois receberam R$ 5 milhões cada. Os parlamentares foram dois dos principais defensores de Temer nos últimos dias. Ainda segundo o levantamento da ONG, apenas em junho, R$ 2 bilhões foram empenhados para parlamentares de 27 partidos e bancadas estaduais. O partido de Temer, o PMDB, recebeu R$ 284,2 milhões. Valores por deputado Veja abaixo o valor que cada um dos 40 deputados que votaram a favor de Temer teve liberado em emendas parlamentares no mês de junho:
  • Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG): R$ 5.129.450,00
  • Beto Mansur (PRB-SP): R$ 5.066.750,00
  • Carlos Marun (PMDB-MS): R$ 5.000.000,00
  • Nelson Marquezelli (PTB-SP): R$ 4.981.530,00
  • Antonio Bulhões(PRB-SP): R$ 4.962.800,00
  • Cristiane Brasil (PTB-RJ): R$ 4.958.100,00
  • Genecias Noronha (SD-CE): R$ 4.957.200,00
  • Evandro Gussi (PV-SP): R$ 4.811.100,00
  • Fausto Pinato (PP-SP): R$ 4.727.600,00
  • Carlos Bezerra (PMDB-MT): R$ 4.700.000,00
  • André Moura (PSC-SE): R$ 4.640.260,55
  • Bilac Pinto (PR-MG): R$ 4.570.468,78
  • Paes Landim (PTB-PI): R$ 4.542.143,75
  • Danilo Forte (PSB-CE): R$ 4.310.000,00
  • Darcísio Perondi (PMDB-RS): R$ 4.270.267,80
  • Carlos Melles (DEM-MG): R$ 4.071.261,54
  • Juscelino Filho (DEM-MA): R$ 3.971.860,00
  • Marcelo Aro (PHS-MG): R$ 3.952.950,00
  • Toninho Pinheiro (PP-MG): R$ 3.942.522,60
  • Milton Monti (PR-SP): R$ 3.939.959,55
  • Hildo Rocha (PMDB-MA): R$ 3.845.000,00
  • Magda Mofatto (PR-GO): R$ 3.757.070,00
  • Evandro Roman (PSD-PR): R$ 3.691.987,17
  • Thiago Peixoto (PSD-GO): R$ 3.514.411,54
  • Alceu Moreira (PMDB-RS): R$ 3.511.425,10
  • Paulo Maluf (PP-SP): R$ 3.402.700,00
  • Delegado Éder Mauro (PSD-PA): R$ 3.260.564,52
  • Edio Lopes (PR-RR): R$ 3.250.000,00
  • Luiz Fernando Faria (PP-MG): R$ 2.550.000,00
  • Cleber Verde (PRB-MA): R$ 2.487.300,00
  • José carlos Aleluia (DEM-BA): R$ 2.474.568,92
  • Laerte Bessa (PR-DF): R$ 2.180.700,00
  • Daniel Vilela (PMDB-GO): R$ 1.798.183,40
  • Ronaldo Fonseca (PROS-DF): R$ 1.521.660,00
  • Rogério Rosso (PSD-DF): R$ 438.845,00
  • Fabio Garcia (PSB-MT): R$ 300.000,00
  • Arthur Lira (PP-AL): R$ 0,00
  • Domingos Neto (PSD-CE): R$ 0,00
  • Maia Filho (PP-PI): R$ 0,00
  • Elizeu Dionísio (PSDB-MS): R$ 0,00
  Por Alessandra Modzeleski, G1, Brasília (Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados)