Esporte

John John Florence conquista título mundial de surfe

John John troca filmes e viagens pela regularidade para ser bicampeão mundial

Havaiano deixou freesurf em segundo plano para ligar modo competitivo e focar no Tour, trocando irregularidade por constância. Título mundial no Havaí veio após eliminação de Medina nas quartas

John John troca filmes e viagens pela regularidade para ser bicampeão mundial

Por Carol Fontes, Direto de Oahu, Havaí

  Por muito tempo, a busca por ondas perfeitas mundo afora nortearam a vida de John John Florence. Mas a veia competitiva sempre esteve ali, só demorou a despertar. Unanimidade no freesurf, o havaiano precisou deixar filmes e viagens em segundo plano para virar a chave em 2016. Abriu a temporada com o título no Eddie Aikkau, competição especial de ondas grandes no Havaí; venceu as etapas do Circuito Mundial no Brasil e em Portugal; foi vice em Jeffreys Bay e no Taiti; e fechou a temporada sendo campeão mundial pela primeira vez. Há sete anos na elite, John John voltou ainda mais focado para 2017. A irregularidade deu lugar à constância. Resultado, o bicampeonato do mundo em casa, diante da família e amigos, no Pipe Masters do Havaí.

– Eu sempre fui muito ligado ao freesurf, filmando, fazendo participações em filmes, tentando dar o maior aéreo possível. Mas, no ano passado, eu pensei: “Ok, não vou filmar mais nenhum filme e vou colocar todo o meu esforço nas competições”. Acho que foi neste ponto que tudo mudou. Aproveitei o meu tempo ao longo do ano vendo tudo o que eu poderia fazer para competir melhor. Fiz isso no ano passado, e agora mais ainda – contou John John, que, depois de lançar “Blue Moon”, projeta um novo filme de surfe com os amigos, sem deixar o foco nas etapas do Tour.

Se na temporada passada, o caneco chegou com uma etapa de antecedência, após vitória em Peniche, em 2017 a história foi ainda melhor, mesmo só terminando na última parada do circuito. A conquista no quintal de casa foi confirmada após a eliminação de Gabriel Medina nas quartas de final em Pipeline. A festa havaiana só não foi perfeita porque o francês Jeremy Flores arrancou uma virada nos últimos segundos e impediu o surfista local de garantir o primeiro título do Pipe Masters.

Mar como habitat natural

John John cresceu em Haleiwa e desde cedo frequenta a praia de Pipeline com os irmãos e a mãe, Alexandra Florence, que se apaixonou pela costa norte da ilha de Oahu e influenciou Nathan, Ivan e o pequeno John a praticar o esporte. O havaiano não tinha nem 2 anos quando surfou pela primeira vez no palco do Pipe Masters, empurrado por Alex. Subia a montanha e ficava horas olhando as ondas com os irmãos.

Aos 5 anos, John John remou sozinho e encarou aquele mar sem medo. Em 2005, aos 13, tornou-se o mais jovem surfista a competir em Pipeline e na Tríplice Coroa Havaiana. Em 2011, ganhou o primeiro título da disputa, que inclui Haleiwa e Sunset Beach, pelo QS, e termina em Pipeline. Em 2013, mais uma conquista da Tríplice Coroa. Após a conquista do bi mundial nesta segunda-feira, John John agradeceu o apoio dos amigos e familiares:

John John Florence comemora o segundo título mundial rodeado de amigos e da família em uma casa em frente à praia de Pipeline (Foto: Steve Sherman/WSL)John John Florence comemora o segundo título mundial rodeado de amigos e da família em uma casa em frente à praia de Pipeline (Foto: Steve Sherman/WSL)

John John Florence comemora o segundo título mundial rodeado de amigos e da família em uma casa em frente à praia de Pipeline (Foto: Steve Sherman/WSL)

– Eu não teria conseguido esse título sem vocês viajando comigo e eu preciso agradecer à minha mãe por tudo isso. Ela me levava, assim como os meu irmãos, para a praia e para viagens quando éramos jovens e nos fez amar o oceano. Acho que é por isso que estamos nessa: o amor pelo surfe. Então, obrigado, mãe, eu não estaria aqui se não fosse por você.

Sete vezes campeão do Pipe Masters, Kelly Slater previu: “John John vai surfar a onda de Pipeline melhor do que qualquer outro surfista“. O americano comemorou em 2016 quando viu o menino havaiano ser campeão: “Finalmente, o surfista favorito de todo mundo ganhou”.

Virada de chave

Por muitos anos, John John era criticado por não ter o espírito competitivo. No início do ano, ele contou com a ajuda do australiano Bede Durbidge na perna australiana, mas, depois fechou uma parceria de sucesso com o ex-top da elite e seu atual treinador, Ross Williams.

– Tem sido bem divertido (surfe de competição) e é uma forma totalmente diferente de surfar para mim. Eu passei muito tempo fazendo freesurf, claro que é divertido e eu vou querer voltar um dia, mas, no momento, quero aprender mais e mais competindo – analisou o surfista de 25 anos.

John John Florence e amigos viajando pelo mundo. Havaiano projeta novo filme, sem deixaro foco no Circuito Mundial (Foto: Reprodução/Instagram)

John John Florence e amigos viajando pelo mundo. Havaiano projeta novo filme, sem deixaro foco no Circuito Mundial (Foto: Reprodução/Instagram)

O ano de 2016 foi perfeito para o havaiano. Mostrou a habilidade nas ondas grandes ao vencer o Eddie Aikkau no início do ano e também provou a versatilidade em diferentes ondas e condições ao longo das 11 etapas do Circuito Mundial. Quando vestia a lycra de competição, o jeito tranquilo e pacífico fica em segundo plano, virando um competidor nato, praticamente imbatível quando encontrava o seu melhor surfe.

Equilíbrio

Foram anos até encontrar o equilíbrio ideal entre o freesurf e o surfe de competição. As manobras aéreas executadas nos momentos de lazer ganharam destaque no Tour. No topo do mundo, foi o homem a ser batido. Lidou bem com a pressão e não decepcionou quando foi exigido. Campeão em Margaret River, terceiro colocado na Gold Coast, em Bells Beach, Trestles e Hossegor, ele também garantiu um 5º lugar em Jeffreys Bay, assim como no Taiti e em Peniche.

A constância ao longo de toda a temporada, de março a dezembro, garantiu o título a John John. Enquanto isso, Medina fez uma ótima reta final do Tours, mas demorou a engrenar, virando a chave apenas na África do Sul. Os resultados inconstantes até a metade do ano atrapalharam o brasileiro. O paulista teve uma forte arrancada nas últimas etapas do circuito e entrou na briga pelo título após uma perna europeia perfeita, com os títulos em Hossegor e Peniche. Mas já era tarde. Quinto colocado no Pipe Masters, Medina viu o rival garantir o segundo título seguido na elite.

  • Resultados em 2017 Gold Coast (Austrália) – 3º lugar Margaret River (Austrália) – campeão Bells Beach (Austrália) – 3º lugar Saquarema (Brasil) – 13º lugar Tavarua (Fiji) – 13º lugar Jeffreys Bay (África do Sul) – 5º lugar Teahupo’o (Taiti) – 5º lugar Trestles (EUA) – 3º lugar Hossegor (França) – 3º lugar Peniche (Portugal) – 5º lugar Pipeline (Havaí) – 2º lugar
  • Histórico no Circuito Mundial 2011: 34º lugar 2012: 4º lugar 2013: 10º lugar 2014: 3º lugar 2015: 14º lugar 2016: campeão 2017: campeão

Comentários

comentários

Ronny
Topo