Economia

O Black Friday tornou-se, nos últimos anos, uma das datas mais esperadas pelos consumidores brasileiros.

Procon é aliado dos consumidores no combate a fraudes na Black Friday

Nivaldo Ribeiro, coordenador-geral do Procon-PI, destaca que a melhor forma de evitar golpes na Black Friday, bem como em qualquer outra campanha de liquidações, é realizar uma pesquisa antecipada e extensa dos preços dos produtos.

O Black Friday tornou-se, nos últimos anos, uma das datas mais esperadas pelos consumidores brasileiros. Originada nos Estados Unidos ainda no século XX, a ideia foi importada pelo comércio varejista em praticamente todo o planeta, e ganhou força no Brasil no início desta década. Mas as pessoas que costumam esperar a grande “sexta-feira negra” para comprar produtos em liquidação precisam ter muita cautela para não cair em golpes dos mais variados, que vão desde a oferta de descontos forjados até a venda de produtos defeituosos, vencidos ou com baixa qualidade. Buscando reduzir o número de consumidores lesados, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) realiza, todos os anos, uma fiscalização nas principais lojas de departamentos e redes de supermercados, percorrendo bairros de todas as regiões da capital. O promotor de Justiça Nivaldo Ribeiro, coordenador-geral do Procon Piauí (Foto: Moura Alves / O DIA) De acordo com o promotor de Justiça Nivaldo Ribeiro, coordenador do Procon-PI, o monitoramento ocorre por amostragem, abrangendo eletrodomésticos, produtos de informática, eletroeletrônicos, telefonia, móveis, roupas, dentre outros segmentos, além do setor de serviços. Mas o membro do MP-PI ressalta que os próprios consumidores podem atuar como fiscais, denunciando ao Procon as irregularidades que identificarem. Nivaldo Ribeiro destaca que a melhor forma para evitar golpes na Black Friday, bem como em qualquer outra campanha de liquidações, é realizar uma pesquisa antecipada e extensa dos preços de produtos que se pretende adquirir. “Se o cliente conhecer bem a oscilação nos preços dos produtos que deseja comprar, dificilmente ele será enganado por descontos falsos”, afirma Nivaldo Ribeiro. Mas o promotor opina que, mesmo com a proliferação dos casos de desrespeito ao consumidor, a Black Friday pode ser uma boa oportunidade para economizar, desde que o cliente esteja atento. Para conseguir atender o enorme contingente de pessoas que costumam fazer compras na Black Friday, uma grande rede de supermercados decidiu deixar uma de suas lojas em Teresina aberta por quase 48 horas ininterruptas. A estratégia já vem sendo adotada nas últimas edições do evento, e, mesmo assim, é quase impossível escapar das longas filas que se formam durante o esperado dia de liquidações. “Era pra começar só na sexta-feira, mas decidimos antecipar alguns dos descontos desde a manhã de quinta, justamente para não lotar tanto”, relata o fiscal de prevenção da rede de supermercados. A cabeleireira Claudete Santos foi pela primeira vez à Black Friday, e disse ter ficado satisfeita com o abatimento que conseguiu numa cafeteira e numa TV smart de 43 polegadas. “A televisão era mais de R$ 2 mil, e eu comprei por R$ 1.500. Achei o desconto maravilhoso. Agora não vou perder mais nos próximos anos”, afirmou Claudete. Dona de restaurante economizou R$ 720 em garrafas de whisky (Foto: Cícero Portela / O DIA) Arcângela de Jesus Monteiro, dona de um restaurante no bairro Socopo, aproveitou a Black Friday para reforçar seu estoque de bebidas. Ela comprou 24 garrafas de whisky com desconto de 50%, e disse que abatimentos como este são raros. “A garrafa era R$ 59,90, e estava por R$ 29,90. Mas em alguns itens, se a pessoa não estiver atenta, acaba sendo enganada mesmo”, afirma Arcângela. A professora Naiza Aragão também ficou feliz com o desconto de quase 30% que obteve em sua compra. Ela pagou R$ 7.198 por duas TVs de 55 polegadas com tecnologia 4K, que oferece uma qualidade de resolução quatro vezes superior à Full HD. Antes, os dois televisores custariam R$ 9.998. Ao deixar a loja, Naiza só reclamou da longa fila que precisou enfrentar para efetuar o pagamento  e receber o produto. “Eu cheguei antes das 10 horas, e estou saindo quase meio-dia, só pra comprar essas duas TVs”, desabafou a professora. Lojas prometem descontos expressivos em produtos, mas consumidores precisam conhecer oscilação dos preços para evitar maus investimentos (Foto: Assis Fernandes / O DIA) Mas a Black Friday não deixa apenas clientes satisfeitos. Pelo contrário. São inúmeras as queixas feitas ao Procon por consumidores que se sentem lesados durante a grande ação de vendas. E os problemas ocorrem tanto nas lojas físicas quanto no meio virtual. A administradora Fernanda Siqueira, por exemplo, teve suas expectativas frustradas nesta edição da Black Friday. Há cerca de uma semana ela começou a pesquisar preços de perfumes e de um dispositivo de streaming de mídia em três grandes sites de vendas. Mas no esperado dia das liquidações ela constatou que em nenhum dos sites houve descontos expressivos nos valores dos itens nos quais ela tinha interesse. “A estratégia é legal, um dia para as lojas usarem a criatividade, diminuir suas margens de lucro, ter uma liquidez e enxugar seus estoques. Porém, muitas dessas lojas apenas usam o nome da estratégia, mas não a colocam em prática. Aproveitam o comportamento consumista do brasileiro para vender mais produtos com descontos maquiados. Nada do que eu pesquisei diminuiu o valor. Comecei a pesquisar semana passada, pra ver se os preços iam, de fato, diminuir. Não aconteceu!”, relata Fernanda, que acabou comprando os produtos em outro site, pelo preço normal. Compras online exigem atenção extra dos consumidores O promotor Nivaldo Ribeiro acrescenta que as compras online demandam uma atenção adicional dos consumidores, uma vez que o processo de devolução de produtos e de ressarcimento de valores pode ser bem mais trabalhoso. Além disso, os golpes no e-commerce são mais frequentes que nas lojas físicas. “Os consumidores devem ter muito cuidado nas compras online. Devem desconfiar, principalmente, daqueles sites que só querem vender se for no boleto. Além disso, é recomendável que as pessoas não comprem por impulso, influenciadas por ações de marketing, mas sim adquiram o que estão realmente precisando. Verificar se o site tem um telefone fixo, se está cadastrado no Ministério da Fazenda. Não clicar em qualquer oferta que receber por e-mail. Enfim, essas são as principais precauções. E, claro, é importante observar se não houve um aumento abusivo antes de o desconto ser aplicado, o que corresponde à fraude mais frequente na Black Friday”, alerta o coordenador do Procon-PI. Estabelecimentos decidiram estender horários de atendimento para conseguir atender todos os clientes (Foto: Cícero Portela / O DIA) Dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) apontam que só entre janeiro e agosto deste ano os brasileiros reportaram mais de 24 mil problemas em compras online. A principal queixa refere-se à não entrega ou demora na entrega de produtos, totalizando quase 8 mil demandas no período pesquisado. Outras 4 mil reclamações mencionaram dificuldade ou atraso na devolução de valores pagos, ou, ainda, a retenção dos valores. Consumidores precisam ficar ainda mais atentos quando compra for online (Foto: Assis Fernandes / O DIA) Problemas como publicidade ou venda enganosa, oferta não cumprida e serviço não fornecido atingiram cerca de 3.700 queixas. E mais de 2.100 reclamações apontaram produtos danificados, sem funcionar, bem como dificuldades em trocá-los ou consertá-los no prazo de garantia. O coordenador do Procon-PI avalia que o órgão tem feito um bom trabalho na proteção do consumidor, alcançando um índice de 90% de acordos no total de demandas apresentadas ao órgão. “Quando constata uma irregularidade, o cliente pode ligar para o Procon e a gente envia imediatamente um fiscal para confirmar se está havendo fraude ou qualquer outro tipo de lesão ao consumidor”, afirma Nivaldo. Celulares lideram ranking de reclamações nas compras em sites Ainda de acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), os smartphones e demais aparelhos celulares lideram o ranking de produtos que mais têm demandas apresentadas por clientes insatisfeitos. Só entre janeiro e agosto deste ano, foram relatados quase 4.400 problemas na aquisição de produtos desse tipo. Em seguida, aparecem os móveis e colchões, com cerca de 2.400 demandas, e, na terceira posição, com mais de 2.100 reclamações, os eletroportáteis (batedeira, liquidificador, umidificador, secador, etc). Consumidores lotaram supermercados, lojas de departamentos e shoppings em busca de descontos nesta sexta-feira (Foto: Assis Fernandes / O DIA) Por: Cícero Portela

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