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Sintricon, Sindicato denuncia negligência com o trabalhador

Sindicato denuncia negligência com o trabalhador para acelerar obra

O presidente do Sintricom comenta que a perspectiva é que a construção civil permaneça na liderança dos setores com o maior número de acidentes no Estado

Choques elétricos, queda em altura e soterramento são alguns dos acidentes que mais acontecem em canteiros de obras. E no período chuvoso, o risco aumenta ainda mais. Segundo Carlos Magno, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Médio Parnaíba (Sintricom), esses casos acontecem por uma negligência das construtoras.

“A maioria desses acidentes acontecem, muitas vezes, pela falta de material que a empresa deixa de fornecer, que são os equipamentos de segurança e de proteção. Mesmo o Sindicato tendo intensificando as fiscalizações, muitas empresas terminam não fornecendo esses EPIs”, denuncia Carlos Magno.

De acordo com o sindicalista, os trabalhadores são colocados em risco em detrimento de uma aceleração das obras. Além disso, ele ainda cita que as condições de trabalho são, em muitas situações, precárias. “Em qualquer obra que você for, vai encontrar um trabalhador com farda rasgada, sem máscara, sem fardamento, ou seja, para você ter ideia, tem funcionário que entra na empresa e nem o exame admissional faz”, revela.

Questionado se os trabalhadores não estariam deixando de usar os equipamentos de segurança por escolha própria, Carlos reforça que isso não ocorre e afirma que as empresas não fornecem o material de segurança. “Não acredito que um trabalhador em altura, sabendo do risco que sua vida está correndo, vai deixar de usar o cinto, ou seja, ele faz porque ele é forçado, porque se não fizer, ele perde o emprego dele”, afirma.

O presidente do Sintricom também comenta que a perspectiva é que a construção civil permaneça na liderança dos setores com o maior número de acidentes no Estado. “Não adianta só o Sindicato fiscalizar e o Ministério Público do Trabalho autuar e fiscalizar se não tiver, acima de tudo, uma conscientização do empregador de que o empregado é necessário para que ambas as partes trabalhem juntas”, pondera.

Empresas contestam e garantem cumprimento de exigências

Francisco Reinaldo, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Teresina (Sinduscon), contesta as informações apresentadas pelo presidente do Sintricom. Segundo ele, todas as empresas associadas cumprem à risca todas as normas de segurança, individuais e coletivas, no intuito de reduzir a quantidade de acidentes no setor.

“O que acontece nas estatísticas é que eles mostram números globais e aparecem todos os tipos de acidentes, inclusive os de percurso, que contam desde o momento em que o trabalhador sai de casa para o trabalho. Fora a informalidade, que não tem tanto rigor com os equipamentos de segurança”, comenta Francisco Reinaldo.

O presidente do Sinduscon, no entanto, reconhece que o setor possui um grande número de acidentes deste tipo, mas, segundo ele, ocorrem pelas condições insalubres do ambiente e que justamente por isso as empresas buscam todos os cuidados para prevenir que eles aconteçam. Além disso, ele também cita a grande quantidade de empregados do setor como um condicionante para o problema.

“A construção civil é a indústria que mais emprega no Piauí; então, nada mais lógico do que também ter uma quantidade maior no número de acidentes. Não é uma justificativa, mas é uma coisa lógica, ninguém pode é se acomodar por causa disso”, declara.

Por fim, Francisco Reinaldo rechaça a alegação de que trabalhadores estariam atuando na área sem a realização do exame admissional, por se tratar de um procedimento básico para a contratação de pessoal, e que a recomendação feita a todas as empresas associadas ao Sinduscon é para que as normas de segurança sejam obedecidas com rigor.

“Fazemos a segurança do trabalho por uma série de motivos. Pela própria legislação, pelo rigor da fiscalização e pelo custo financeiro de não fazer a prevenção. Tudo sai mais caro para empresa, então é melhor que ela atue na prevenção, fornecendo EPIs, treinamentos e palestras”, finaliza Francisco Reinaldo.

Edição: Virgiane Passos Por: Breno Cavalcante

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