Esporte
Corinthians levanta troféu e comemora título do Campeonato Paulista na Neo Química Arena

Opinião: Corinthians faz por merecer título com sangue no olho, qualidade e conexão com a Fiel
Timão vence o Paulistão e sai da fila após quase seis anos sendo eficiente diante do maior rival; só quem não entende o clube ou o que representa o Dérbi vai achar que foi só mais um “Paulistinha”
Nem sempre o futebol é justo, mas em 2025 o título do Campeonato Paulista ficou com quem mais mereceu.
Esqueça os problemas administrativos, as dívidas, as suspeitas de irregularidades que atravessam diferentes gestões do Corinthians. O clube segue com inúmeros problemas fora de campo e precisará resolvê-los para alcançar conquistas ainda maiores, mas o mérito que falo aqui é outro, esportivo.
Foi campeão paulista o time de melhor campanha, aquele que melhor soube lidar com uma absurda pré-temporada de oito dias e ainda teve de se dividir entre o Estadual e o mata-mata da pré-Libertadores. Ganhou aquele que se sobressaiu nos clássicos, que apresentou melhor futebol e que, mesmo quando não jogou bem, competiu como sua torcida pede.
O Corinthians saiu da fila após quase seis anos porque tem qualidade, mas também porque criou uma conexão com seu povo raras vezes vista. Um time com sangue no olho, como demonstrado na decisão diante do Palmeiras.
André Carrillo e José Martínez correram como se não tivessem entrado em campo 48 horas antes na Venezuela. Rodrigo Garro nem parecia que enfrentou dificuldades até para caminhar no dia anterior.
Mais notícias do Corinthians:
+ Herói, Hugo Souza vibra: “Nem nos melhores roteiros eu sonhava com isso”
+ Corinthians bate recorde de público na arena em final do Paulistão
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2025/B/r/ZlrfjVShqEk6hQaUWWbA/rib8584.jpg)
Corinthians levanta troféu e comemora título do Campeonato Paulista na Neo Química Arena — Foto: Marcos Ribolli
As atuações nas duas finais não foram espetaculares, mas extremamente eficientes. Em ambas, o time soube controlar o rival, mesmo sem a bola, e disputou cada palmo de campo.
Com a vantagem obtida no jogo de ida, o Corinthians se arriscou pouco em Itaquera. Ainda assim, criou a melhor chance do primeiro tempo, em linda enfiada de Memphis para Garro, que chutou na trave.
O holandês merece menção especial. Mostrou inteligência para segurar a bola, enervar os adversários e servir os companheiros. Jogou para o time e não para si.
“Me senti representado”, comemora Careca Bertaglia após título | A Voz da Torcida
Na etapa final, o roteiro era parecido com o do primeiro tempo até Félix Torres cometer um pênalti inacreditável para um zagueiro de seleção. O que parecia o prenúncio de uma tragédia acabou se tornando o clímax de uma conquista inesquecível.
Após a histórica defesa de Hugo Souza, o até então monótono Dérbi virou cabeça para baixo. Félix Torres insistiu até conseguir ser expulso, Yuri Alberto perdeu um gol cara a cara, Memphis subiu na bola, uma confusão generalizada se formou em campo e a Fiel torcida iluminou as arquibancadas com sinalizadores. Praticamente não houve mais jogo.
O dia 27 de março de 2025 já está na história do maior campeão de São Paulo. Só quem não entende o Corinthians ou o que representa o Dérbi vai achar que este foi só mais um “Paulistinha”.
Por Bruno Cassucci — São Paulo